Ontem

Parece que foi ontem e eu quase não lembrava. Eu assistia angustiado as pessoas comemorarem a chegada de mais um ano. Não sei se foi porque no anterior muita coisa ruim aconteceu, ou foi medo do que viria. Mas temi. Temi como eu temo a cada passagem de ano. Cada vez que assisto o relógio mudar não só um horário, mas um ano inteiro.

Tudo, durante 10 segundos, vai embora. O ano torna-se ONTEM com todas suas realizações. Todas suas frustrações, confusões e desilusões. Os sonhos realizados se tornam gloriosamente fatos a serem superados. Já os desencantos, as falhas e a meta não atingida torna-se algo a ser alcançado, sim!

Aquele abraço diário ou aquela(o) amiga(o) imaginário, que torna um abraço ainda mais necessário, estando ele ausente sempre, existirá no ano que nasce? Meus erros continuarão a existir? Esse meu sorriso, esse meu afeto, esses meus sonhos, todos vão seguir comigo? Ou tudo de fato há de ser um fim como previsto pelos Mayas?

Eu temo essa mudança. Não pelos mitos, ritos e tradições. Temo por temer repetir o que eu deveria deixar para trás. Erros, falhas. Temo ao mesmo tempo em que desejo que tudo que fiz de certo e errado seja ultrapassado pela vontade de ser feliz, de fazer, nada mais do que Fazer.

Quero transformar a perda na minha recompensa…

Dois mil e doze chegou.

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Sobre sobreamente

Como um admirador nato da Arte e Cultura, analiso o mundo com base no comportamento humano e peço licença para expor a minha opinião. Costumo me enxergar como apenas mais um ilusionista nesse mundo tão caótico. Abraço!

Publicado em Eu com Eu

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