Fuga

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Nas ruas escura ele vai
Transpassando do real ao incerto
E como inseto perdido e atordoado na claridão
Se permite apenas ir em frente.

Ignora, porém, os gritos de “enfrente!”
E busca no acaso uma redenção
Uma afago talvez numa outra esquina
Ou em outra dimensão.

O amargo na boca já não vem de quem antes viria.
Os prazeres que encontra,
Diante da escravidão
Apenas o mal, a ele mesmo, fazia.

Jaz no futuro suas erradas escolhas
Que entre lágrimas e sorrisos falsos,
Com os pés descalços, mas sempre em frente,
Em cada passo ele escondia

E já não era dia.
Já não vestia vestes coloridas,
As incertezas o molda um não-campeão,
E como quem não queria nada, rasgou com faca e sal todas as suas feridas.

Em vão.

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Gritos

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Sabe que às vezes o silêncio fala muito?
Às vezes é a melhor opção que temos frente a certas situações. E não vejam isto como covardia, mas sim sabedoria. Bom… claro que há exceções. Porém a opção de se manter em silêncio em alguns casos te torna tão grande frente aos reais problemas que tu acaba superando todos eles. Aos poucos. Mas supera. É tudo questão de saber silenciar suas dores, dúvidas, escolhas, angustias, pensamentos, ideias. Enfim. Você!
Silêncio às vezes é mais ‘gritos calados’ do que silêncio propriamente dito. E sabedoria às vezes de fato é silenciar os gritos. É ser superior… calado.

Azedume

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(…)

Abraça quem te decepciona.
Mas sorrir, porém, para amenizar o azedume
que por dentro varre, o que restava de ti,
de mais belo e puro.

Esbraveja, mas veja – por favor.
Jogai-vos não somente uma flor,
assim estará expondo uma dor
que já não é somente tua.

Consome o medo da partida.
Partilha assim esse ‘sentir’.
Que aflora a fora, lá fora de ti,
o que de fato existia.

Ó, amor. Qual perfume usar?
Se aquele do dia Um já não consigo
encontrar?

Perdido, no vazio de um criado-mudo velho, estacionado na sala de estar,
guardo agora tudo que tínhamos, inclusive seu olhar.
Há um porta-retrato eternizando um sorriso que, aos poucos, na mente se esvai
ao longe…

(…)

Amar Amarelo

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Como não te amar?
Se na ânsia das confusões
Encontro perdido sempre o teu olhar?
Que se cruza com o meu assim como nós
em uma tarde de paixão ou simples ilusão?

Será se aquele Senhor, O Cristo,
nos viu conceber tal vida?
Onde há inúmeras possibilidades
Moldadas em abraços, beijos e sonhos?

Como não te amar,
Se você me faz ser o que jamais fui?
Se molda um “Ser Eu” diferente de Outros?
Me faz errar na certeza de novos amanhãs.
Me faz ser um amor que aconteceu e acontece até hoje.

Será se vejo sempre isso apenas em sonhos?
Ou tais questionamentos são fundados apenas no ato
de te ver sorrir?
Ou até chorar, talvez?

Te amo porque me fez amor
Me fez calor, sentir – sabor.
Não apenas, mas de todo modo: Amor.
…Foi quando ele aconteceu!

[dedicado à Maiara Samila]

Sobre seus espelhos

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“Observar” é certamente uma das melhores coisas a se fazer quando se conhece quem realmente é confiável no seu ciclo de convivência. Saber lidar com cada olhar que tenta te devorar no subconsciente, cada pessoa que te abraça querendo te apunhalar pelas costas, cada sorriso hipócrita que acaba nos causando um azedume dentro do peito, é de fato a maneira mais plausível para quem quer viver, sobretudo, em paz consigo.

Nos últimos meses eu tenho aprendido muito a observar, absorver e falar menos. Agir cada vez mais de forma superior, intelectualmente falando, a certas pessoas e suas mentes mesquinhas e devoradoras de ideias. Não preciso ir muito longe para sentir o peso de ter uma mente focada na vontade contínua do “querer fazer a diferença”. E isso, ao mesmo tempo em que me alivia, tem me causado uma grande frustação também, pois enxergo cada vez mais algumas pessoas próximas adentrando a um mundo o qual elas – ironicamente – me julgam como um cara que vive dentro deste tal mundo. Mas optei há anos a ser um cara acima de tudo verdadeiro. Cheio de defeitos como qualquer ser humano. Mas moldado de sonhos e certezas.

Mas afinal de conta, sou eu o palhaço? O dono do circo? Faço parte apenas do picadeiro? Para elas eu sou isso tudo e algo mais. Sou uma pedra no sapado, incomodando constantemente com minha personalidade própria. Moldada – veja só – através da minha vontade de ser diferente, fazer diferente, seguir caminhos diferentes e por fim, ver que minhas ações resultam em coisas as quais essas mesmas pessoas não enxergam.

Por fim, confirmo diariamente que algumas escolhas que fiz no passado, ao deixar para trás certas pessoas, como uma das melhores que já fiz na vida. E continuo convivendo com leões, mas não sou caça. Também sou caçador.

Labirinto

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Curvas, entradas. Portas.
Novas saídas criadas. E agora?
Inventadas ou simplesmente adaptadas?
Questionáveis? Desenháveis? Definidas?

Dores, olhares, investidas.
Desejos, queda. Livre?
Sonhos impossíveis? É impossível voar?
Ou podemos acreditar enquanto assistimos ao nascer do sol?

E ele nasce? Ou, também, vai e volta?
E essas paredes?
E esses corredores? Tem saída?
Ou estamos sem saída?

Ir? Voltar? Ignorar?
Acreditar ou, como você bem quer, esquecer?
Fingir? Ter certeza? Com ou sem certeza?

Viramos novos labirintos cada vez que nos encontramos.

De repente 30!

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O que é a vida se não um trem em constante movimento, sem estação. Sem parada.
É engraçado como às vezes reclamamos das coisas que não acontecem, mas também ignoramos quando elas acontecem de uma maneira diferente.
Hoje estive olhando pro telhado por um tempo e me peguei lembrando da época em que eu ficava desse mesmo jeito, tentando imaginar como eu estaria há tantos anos à frente.
Vivo? Sim. Com saúde? Em parte. Mas de uma coisa eu venho tendo cada vez mais certeza: Meu aprendizado ‘aqui’ nunca cessa. Não me vejo limitado a aprender apenas o que acho necessário para manter um sorriso bobo no meu rosto. E isso eu sempre desejei: Continuidade!

Chegar aos 30 pra muitos pode ser uma grande tempestade. Ora, deixamos definitivamente para trás os números que ainda flertavam com a “juventudidade” (idades joviais… inventei essa definição agora! Eu acho… Rs). E passamos a abraçar números mais condizentes a uma constante evolução, principalmente no comportamento.
Mas essa tempestade, uma hora calma, outrora apocalíptica, tem sim seu lado fantástico. Pois são nessas tempestades que nós encontramos pedaços soltos no tempo, de coisas, fatos, pessoas, sentimentos, que vão somando com outras e aos poucos vão se transformando em células infinitas, que penetram na nossa mente, nos tornando Ser. Talvez nem sempre entendido por nós, muito menos por todos que apenas nos observam. Mas o fato é que nós estamos em constante evolução. E passamos sempre a um novo patamar quando entendemos e enxergamos esses feitos a cada derrota, vitória, sorriso, lágrimas, adeus, olás, abraços. Tudo que nos cerca nos molda. Tudo. Todos.

E hoje eu vejo que perdi muito do Cleyton que incomodava negativamente as pessoas. Mesmo ainda tendo ‘aqui’ dentro coisas falhas que certamente hão de desagradar até a mim, sinto que tudo que passei durante esses 30 anos, me ajudaram. Me fizeram enxergar as possibilidades que o universo nos traz. Que ‘Ser pequeno, para ser grande’ e ‘Observar. Absorver’ tiveram sim seus papeis gloriosos para derrubar muros e pensamentos infantis os quais eu carregava comigo.

Passei a enxergar melhor as pessoas. E buscar sempre a cada olhar, entender qual a real qualidade de determinado Ser. Não vejo mais – e digo isso com propriedade – apenas rostos bonitos. Aprendi que muito deles são apenas imagens criadas por nós, que a verdadeira beleza é a interior. E essa, às  vezes fica muito bem escondida. Ou despercebida?

Aprendi que tudo se resume a cultura. E não falo só de arte. Falo de VIVER. Nossos atos moldam o nosso mundo. É como uma frase que escrevi há um tempo atrás: “Cada pessoa é um universo. E um inverso também”. Somos frutos, cactos, pedaços de areia. Somos poeira em uma imensidão de possibilidades que diariamente nos cerca.

Então, de repente, com 30 anos. Me vejo feliz, sim! Mas me vejo (re)significando o mundo. E isso está me proporcionando a cada dia a criação de novos universos.

A quem leu até aqui, sinta-se parte de algum deles. Abraço!

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