Sobre seus espelhos

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“Observar” é certamente uma das melhores coisas a se fazer quando se conhece quem realmente é confiável no seu ciclo de convivência. Saber lidar com cada olhar que tenta te devorar no subconsciente, cada pessoa que te abraça querendo te apunhalar pelas costas, cada sorriso hipócrita que acaba nos causando um azedume dentro do peito, é de fato a maneira mais plausível para quem quer viver, sobretudo, em paz consigo.

Nos últimos meses eu tenho aprendido muito a observar, absorver e falar menos. Agir cada vez mais de forma superior, intelectualmente falando, a certas pessoas e suas mentes mesquinhas e devoradoras de ideias. Não preciso ir muito longe para sentir o peso de ter uma mente focada na vontade contínua do “querer fazer a diferença”. E isso, ao mesmo tempo em que me alivia, tem me causado uma grande frustação também, pois enxergo cada vez mais algumas pessoas próximas adentrando a um mundo o qual elas – ironicamente – me julgam como um cara que vive dentro deste tal mundo. Mas optei há anos a ser um cara acima de tudo verdadeiro. Cheio de defeitos como qualquer ser humano. Mas moldado de sonhos e certezas.

Mas afinal de conta, sou eu o palhaço? O dono do circo? Faço parte apenas do picadeiro? Para elas eu sou isso tudo e algo mais. Sou uma pedra no sapado, incomodando constantemente com minha personalidade própria. Moldada – veja só – através da minha vontade de ser diferente, fazer diferente, seguir caminhos diferentes e por fim, ver que minhas ações resultam em coisas as quais essas mesmas pessoas não enxergam.

Por fim, confirmo diariamente que algumas escolhas que fiz no passado, ao deixar para trás certas pessoas, como uma das melhores que já fiz na vida. E continuo convivendo com leões, mas não sou caça. Também sou caçador.

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O barquinho de papel

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Reúna seus sonhos;

Escreva-os suavemente em um papel reciclado;

Dele faça um barquinho;

Da suave chuva “tempestade em alto mar”;

Liberte o barquino em águas violentas do grande mar amarelado;

Desse som de água caindo, imagine uma multidão batendo palmas…

E se permita moldar possibilidades!

 

Cleyton de Paula

Quem somos?

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Afinal de contas, quem somos?

Foi essa a pergunta que tomou conta de mim durante toda a semana. Analisando comportamentos reais (offline) em diversos tipos de ambientes. Bem como observando como as pessoas veem certas coisas nas redes sociais. E vi que algumas não se preocupam em buscar um entendimento quanto à fatos e mesmo assim, buscam, através de poucas informações e argumentos, se questionar. Ou seja, há um anseio nítido por uma busca ainda eficaz dentro de uma sociedade cada vez mais solitária, a fim de se encontrar. Ter em si as certezas que perpetuam por entre as dúvidas básicas cotidianas, que nos levam a sermos todos um pouco insanos.

A pergunta, porém, se difere de pessoa para pessoa. Ora, quem somos afinal? Alguns aceitam de forma notória ser um personagem, quando na vida real não passam de apenas mais um ser humano perdido no caos. Aliás, perdido entre sentimentos os quais algumas não percebem o valor, ou simplesmente não aceitam ser, por ser igual a todos os outros. E acabam ainda pior: Solitárias e vazias.

Me questionei isso e me peguei atordoado por linhas mal escritas nos meus próprios textos. O que me leva ter a certeza de que, sempre ao me questionar, liberto um pedaço das minhas loucuras. O que eu, particularmente, acho deprimente. Vivo muito bem minhas loucuras e me sentir sem elas, aos poucos, me deixa normal. O que é frustrante para um louco.

Fato é que precisamos estar sempre nos questionando. E continuarmos buscando entender o que somos, quem somos e o que poderemos ser para um mundo cada vez mais diversificado, caótico e mesquinho. Pois ao final disso tudo, acabaremos por perceber que somos todos uma coisa só.

Eu não sei voar…

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O silêncio da madrugada se iguala ao cotidiano ar de solidão.
Lá fora as árvores quase não se movem. Falta vento. Aquele vento.
Que acaba virando surpresa quando resolve aparecer, tocando a pele de um jeito super sutil.
Às vezes eu me perco nesse silêncio. Distorço meus sentimentos e ideias absurdas, chegando a me imaginar voar, planar acima das nuvens e assistir, de algum modo, a vida atordoada dessas formigas.
É normal me sentir sozinho. Até tento me igualar as outras pessoas em certas situações. Mas a minha loucura acaba sendo a minha arma contra o meu próprio Eu. Que de um jeito cômico luta entre si para decidir em qual, desses vários universos paralelos, pousar.

Há uma multidão lá fora, eu sei. Eu sei, vejo. Mas quase não sinto. Porque consigo enxergar apenas vazio nas suas mentes. A maioria não me completa em nada, muito pelo contrário, compartilha comigo apenas mais uma opção de silenciar a vida. Fazendo com que eu negue tais sons emitidos por elas.

A solidão brinca de esconder. Em um certo instante deixo de perceber o quão dolorido é apenas enxergar. Mas em um outro momento agradeço por não conseguir falar.
Ser um mudo superficial tem o seu lado bom. Pode parecer algo meio “bipolar”, mas vivenciar o silêncio dentro dos inúmeros meios de ser louco me torna um pouco feliz. Um pouco, mas o suficiente para, em certos dias, parecer ser muito.

…Mas eu não sei voar!

Labirinto

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E essa necessidade estúpida de fingir sorrisos? E de ver nos abraços sempre novas incertezas? Talvez seja eu a maior brincadeira de sua vida. Sou então um parque de diversões, onde você se acha no direito de ir e vir, sem pagar nada… sem pagar com nada.

Sou sentimental demais. E vagamente sempre aceito novas emoções. Me perco em ideias absurdas de ‘sobrevoar as nuvens’, apenas observando o teu jeito de falar. E isso me dói. Me faz sentir-me cada vez mais entregue a essa falsa negação. Mas… nego!

Nego-me acreditar que novamente sou eu o grande problema disso  tudo, quando na verdade sou – ali no espelho – a nítida sensação de um novo caótico mundo, que como o último extinto por um adeus apocalíptico, está prestes a sumir nessa imensidão escura que é o universo.

Portanto, para. Não precisamos mais fingir que não sabemos de nada. Não adianta eu fugir cada vez mais longe de ti, quando na verdade isso não vai ajudar em nada. Alimento meus medos com novas ideias absurdas de “amar”. Essa coisa de apaixonar-se nos torna tão bobos, não é?

Porque o mundo não é assim, todo bobo? Porque são poucas as pessoas que observam as nuvens, os pássaros bailando lá em cima, ou os pombos que descansam na antiga catedral; Ou ainda, aquelas que simplesmente ignoram as possibilidades escondidas nos olhares…?!

…Labirinto!

 

Por Cleyton de Paula

Parir.

Há respostas tão óbvias que nos deixam cegos.
E às vezes somos cegos por querer.
Ou nos tornamos pessoas cegas
…por temer.

Claro, é simples negar.
Fingir. Ou observar e absorver.
É simples esconder o que tanto deseja.
E machuca por não poder dizer.

Há perguntas que necessariamente precisam
ficar sem respostas.
Mas há gestos que as denunciam, servindo como
prelúdio de uma possível confirmação

Por Cleyton de Paula

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O mundo acaba todo dia

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O fim do mundo é quando acordamos e nos deparamos com nossa mente tão pequena, tão frágil e incapaz de confirmar nossas limitações.
O mundo acaba todo dia, quando nos esquecemos de dizer “eu te amo”, ou “desculpa, eu errei!”,
O mundo acaba todo dia, quando não damos um “bom dia!”, ou por simplesmente evitarmos um abraço naquela pessoa, sem atentar para o que pode ser um último encontro.
O mundo acaba todo dia, quando deixamos restos de comida e esquecemos que há tantas pessoas morrendo de fome pelo mundo…
O mundo acaba todo dia, quando não paramos para assistir as gotas suaves – ou até revoltadas – da chuva do amanhecer.
O mundo acaba quando não paramos para agradecer o sol por sua luz e energia renovadora, ou quando não observamos as nuvens bailando lá em cima, no céu.
O mundo acaba quando deixamos de observar o entardecer…

O mundo acaba quando coisas passam a ser mais importantes do que as pessoas, estas que tanto nos cercam e nos mantém cientes de que somos iguais…
O mundo acaba quando esquecemos o significado da palavra “paz”. Quando não temos a sabedoria de parar para observar a sutileza de tudo que está ao nosso redor.
O mundo acaba quando o carinho passa a ser casual e olhares já não expõem recados amorosos ou indiretas discretas…
O mundo acaba todo dia, quando esquecemos de perceber que ao acordar conquistamos mais uma vitória, pois sobrevivemos a mais um dia…
O mundo acaba quando deixamos de sorrir da simplicidade das coisas, da inocência de uma criança, ou da esperteza de um idoso.
O mundo acaba todo dia quando nos esquecemos de dizer aos nossos pais o quão importante eles são, ou quando guardamos dentro de nós o amor que sentimos por eles, por nossos familiares ou por nossos queridos amigos.
O mundo acaba quando deixamos de dar atenção para pessoas que tanto nos amam, ou quando não percebemos que aquele pequeno gesto de carinho é para alguém um gesto gigante e feliz.
O mundo acaba todo dia quando esquecemos o quão frágil somos.
O mundo acaba quando esquecemos de dialogar, de refletir, de ajudar, de pedir ajuda ou se desculpar…
O mundo acaba todo dia, quando você esquece o que é amar!

Seu mundo acabou?

Cleyton de Paula
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