Soneto para Peter Pan

Arde. Queima.
Essa mistura interna, nos interna.
Nos leva, lá longe, de nós.

Força. Até transborda.
Transforma sorrisos em saudade.
Nos faz confusão, ilusão.

Faz doer. Amarga.
Mistura sentimentos de maneira errada.
Agora somos crianças, sem cordão umbilical.

Não. Talvez. Jamais.
Soam como um tiro.
Que rasga o peito e a alma.

Lava. Leva. Esconde.
Há uma dança frenética de sentimentos perdidos.
E cá estamos nós, novamente, em planetas distintos.

Pensando, sobretudo, sobre tudo.

Labirinto

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Curvas, entradas. Portas.
Novas saídas criadas. E agora?
Inventadas ou simplesmente adaptadas?
Questionáveis? Desenháveis? Definidas?

Dores, olhares, investidas.
Desejos, queda. Livre?
Sonhos impossíveis? É impossível voar?
Ou podemos acreditar enquanto assistimos ao nascer do sol?

E ele nasce? Ou, também, vai e volta?
E essas paredes?
E esses corredores? Tem saída?
Ou estamos sem saída?

Ir? Voltar? Ignorar?
Acreditar ou, como você bem quer, esquecer?
Fingir? Ter certeza? Com ou sem certeza?

Viramos novos labirintos cada vez que nos encontramos.

Guerra

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Às vezes a gente tenta fugir. Ignorar. Ou simplesmente aceitamos a conviver com certas dores. Talvez por teimosia ou pelo comodismo de anos e anos relutando para não aceitar tais dores ou tais defeitos. O meu, bem simples e talvez nem tão normal como parece: Me apegar rápido demais e esquecer, rápido demais, os meus próprios valores.
Hoje quando acordei fiquei observando o telhado por alguns minutos. Tentando aceitar todas as bobagens das noites anteriores. Todas as falhas, as más aceitações. As “não” evoluções de um homem que luta contra ele próprio.

Há uma guerra acontecendo. E o barulho dela apenas eu, no auge da minha ignorância ou infantilidade, consegue ouvi-la. E sei mensurar isso por alguns segundos; Até porque, ao anoitecer, esquecerei novamente “lá”. E, novamente, terei que iniciar uma batalha onde, de qualquer forma, serei o derrotado.

É diário isso tudo, sabe. É como se eu fosse um completa psicopata fugindo de outro psicopata. O meu eu, contra seu próprio eu.   Na certeza que em qualquer esquina à frente, poderei me deparar com a morte. Parece estupidez, mas vejo como um leve desespero. Dá até pra imaginar um parque de diversão onde, pateticamente, me sinto perdido. Sem usar brinquedo algum. Ou, sendo eu o próprio brinquedo. Manipulado por esses sentimentos retroativos.

Também percebi ontem que a hora de mais uma vez desistir chegou. Adaptar-se não será opção e sim obrigação. Aceitar também vai ser uma tarefa árdua, porém, essencial. Eu sinto que preciso crescer por dentro. E a hora chegou!

É como diz a canção: “Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior!”
E para que eu possa alcançar isso, terei que entrar em um retiro interior…

De repente 30!

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O que é a vida se não um trem em constante movimento, sem estação. Sem parada.
É engraçado como às vezes reclamamos das coisas que não acontecem, mas também ignoramos quando elas acontecem de uma maneira diferente.
Hoje estive olhando pro telhado por um tempo e me peguei lembrando da época em que eu ficava desse mesmo jeito, tentando imaginar como eu estaria há tantos anos à frente.
Vivo? Sim. Com saúde? Em parte. Mas de uma coisa eu venho tendo cada vez mais certeza: Meu aprendizado ‘aqui’ nunca cessa. Não me vejo limitado a aprender apenas o que acho necessário para manter um sorriso bobo no meu rosto. E isso eu sempre desejei: Continuidade!

Chegar aos 30 pra muitos pode ser uma grande tempestade. Ora, deixamos definitivamente para trás os números que ainda flertavam com a “juventudidade” (idades joviais… inventei essa definição agora! Eu acho… Rs). E passamos a abraçar números mais condizentes a uma constante evolução, principalmente no comportamento.
Mas essa tempestade, uma hora calma, outrora apocalíptica, tem sim seu lado fantástico. Pois são nessas tempestades que nós encontramos pedaços soltos no tempo, de coisas, fatos, pessoas, sentimentos, que vão somando com outras e aos poucos vão se transformando em células infinitas, que penetram na nossa mente, nos tornando Ser. Talvez nem sempre entendido por nós, muito menos por todos que apenas nos observam. Mas o fato é que nós estamos em constante evolução. E passamos sempre a um novo patamar quando entendemos e enxergamos esses feitos a cada derrota, vitória, sorriso, lágrimas, adeus, olás, abraços. Tudo que nos cerca nos molda. Tudo. Todos.

E hoje eu vejo que perdi muito do Cleyton que incomodava negativamente as pessoas. Mesmo ainda tendo ‘aqui’ dentro coisas falhas que certamente hão de desagradar até a mim, sinto que tudo que passei durante esses 30 anos, me ajudaram. Me fizeram enxergar as possibilidades que o universo nos traz. Que ‘Ser pequeno, para ser grande’ e ‘Observar. Absorver’ tiveram sim seus papeis gloriosos para derrubar muros e pensamentos infantis os quais eu carregava comigo.

Passei a enxergar melhor as pessoas. E buscar sempre a cada olhar, entender qual a real qualidade de determinado Ser. Não vejo mais – e digo isso com propriedade – apenas rostos bonitos. Aprendi que muito deles são apenas imagens criadas por nós, que a verdadeira beleza é a interior. E essa, às  vezes fica muito bem escondida. Ou despercebida?

Aprendi que tudo se resume a cultura. E não falo só de arte. Falo de VIVER. Nossos atos moldam o nosso mundo. É como uma frase que escrevi há um tempo atrás: “Cada pessoa é um universo. E um inverso também”. Somos frutos, cactos, pedaços de areia. Somos poeira em uma imensidão de possibilidades que diariamente nos cerca.

Então, de repente, com 30 anos. Me vejo feliz, sim! Mas me vejo (re)significando o mundo. E isso está me proporcionando a cada dia a criação de novos universos.

A quem leu até aqui, sinta-se parte de algum deles. Abraço!

Partiu…

É chegado o momento de analisar os fatos antes que tudo se torne, de fato, apenas um sentimento qualquer. Algo qualquer. Perdido.
É chegado o dia de dizer adeus sem querer, antes que isso se torne tão difícil quanto agora.
É chegado o dia de se colocar no lugar de onde ele nunca deveria ter saído.
Ficar vagando por ai sem ser reconhecido é algo que ele teme. Não por não estar acostumado com a solidão. Mas simplesmente por medo de ‘deixar de existir’ para ela, elas, todos.
Há sempre outros caminhos dentro daqueles errados que ele toma. Já vivenciou outros vícios, um deles ainda o atormenta até hoje. Outros, o tempo simplesmente tratou de coloca-los em seu devido lugar.
Então, é chegado o momento do tempo novamente trabalhar.

Partiu…!

O Deus Solitário

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“Por trás das nuvens ele se esconde.
Agora não tão forte como antes.
Há trovões e relâmpagos anunciando a chuva, que logo trará esperança…
Exceto pra ele…

Já vive por milhões de anos sozinho.
Nesse tempo todo sonhava um dia encontrar o que lhe faltava.
Ao mesmo tempo buscava enxergar a paz perante o seu caótico jeito de ser.

Mas às vezes sentia essa necessidade de ‘apenas observar’.
Talvez fosse teimosia demais querer ser igual aos seres que ele ilumina.
Já que não possuía mãos, pés e a quem diga que não possuía coração.
Por trás das nuvens ele se esconde até hoje.
Segue diariamente com essa busca incessante por “sabe se lá o quê”.
Essas dúvidas toda um dia há de por mim sua vida, ao menos foi isso que o mago El-Huen comentou agora a pouco em sua caverna.”

– De onde você tirou essa história?
– Um dia eu sonhei algo parecido.
– E quem é ele?
– O Sol!

O barquinho de papel

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Reúna seus sonhos;

Escreva-os suavemente em um papel reciclado;

Dele faça um barquinho;

Da suave chuva “tempestade em alto mar”;

Liberte o barquino em águas violentas do grande mar amarelado;

Desse som de água caindo, imagine uma multidão batendo palmas…

E se permita moldar possibilidades!

 

Cleyton de Paula
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